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28.6.16

o que aprendi dando aula para crianças

No início do ano fui chamada pra dar aulas pra crianças de 5 e 6 anos na igreja que congrego. Aceitei, claro. Dar aula pra crianças no meu pensamento seria uma coisa fácil. Coitada de mim né. Hoje depois de 6 meses de aulas dadas já dá pra dizer: não é tão fácil assim não, mas quando você entende que Deus tá no controle e que Ele tem um propósito em tudo o que faz as coisas fluem melhor. Nesses 6 meses dando aula eu já chorei várias vezes, sério. Talvez você pense que é drama, besteira, que eu sou fraca ou alguma coisa tipo, e é verdade, fraca eu sou mesmo mas eu sirvo a um Deus que tem toda a força. Quando fui chamada eu também não imaginei que choraria por isso, como disse, achei que seria fácil. Mas criança é aquele coisa, é difícil de prender a atenção delas, elas querem mesmo é brincar, pintar, desenhar, brincar de novo e fazer coisas que normalmente crianças fazem. 

Como fazer elas entenderem que estavam ali para, acima de tudo, aprender um pouco de Deus? Que a brincadeira fazia parte, mas o principal motivo para elas estarem ali é ouvir a histórinha da Bíblia? Olha é difícil. É difícil sentir que Deus te deu uma missão, saber que se Ele deu é porque você tem capacidade para cumpri-la e mesmo assim sentir que não está a cumprindo. Se você trabalha com isso e acha fácil por favor senta aqui vamos conversar. Eu ainda mão consegui fazer elas perceberem isso completamente, e acredito que é com o tempo e com a maturidade que elas vão adquirindo que vão entender o real motivo daquela ida a salinha aos domingos pela manhã. 

Ano passado, antes de ser chamada pra dar essas aulas eu estava pedindo a Deus pra que Ele me desse alguma coisa pra fazer na casa dEle , eu não queria estar ali a toa, sabia que teria algo pra eu fazer. Sempre tem. E Deus não apenas me separou pra dar as aulas mas também pra ajudar na secretaria da igreja. Eu estava pedindo pra Ele me dar alguma coisa pra eu fazer e Ele deu logo duas. Como eu disse, sempre tem algo pra ser feito. Além disso Ele ainda me deu a faculdade, um bônus a parte da igreja. Mas tudo isso já tava la nos planos dele e eu só me pus disponível para Ele fazer o que queria. 

Eu falei bastante mas o ponto onde quero chegar é que aprendi muito nesses meses dando aulas para as crianças. Já perdi a paciência, já tive vontade de chorar na frente delas (eu não foi por emoção ou alegria), já pensei em entregar e parar, mas estou aqui, porque acima de qualquer vontade minha está a vontade de Deus.

o aviãozinho
Ainda estou com a mesma turma desde o inicio do ano cada domingo que dei aula fui conhecendo um pouquinho melhor cada um deles. A Giovanna é um amor de menina (e certamente "um amor" estará na descrição de todas as crianças), calma e serena; já Emilly é mais agitada, essa gosta de brincar, tá sempre rindo, as vezes faz uma pirracinha, mas é um doce, gosta de abraços, um amor; o Davi não tem ido muito, mas sempre que vai ele gosta é de orar, e não vem com essa oração de obrigado por mais uma dia amém não, ele gosta da oração que demora, gosta de falar com o Pai, esse já sabe o que é bom desde pequeno, gosta de aprender as histórias, e de contar as histórias que ele conhece também, certa vez fizemos aviãozinhos de papel na sala (na verdade o Daniel fez por que a tia aqui não sabe fazer o negócio do aviãozinho que dá o voo perfeito), enfim, todos brincando o avião daqui a pouco só vejo um bracinho levantado me entregando um aviãozinho cheio de flores rosas, "leva pra brincar em casa", eu disse. "Não tia, esse é pra você" ele respondeu, "ele pediu pra eu fazer florzinhas pra ele te dar" completou a Giovanna, como não amar minha gente????? Um amor. Foi bem naquele dia que eu estava bem insegurança, querendo parar. Na hora eu não chorei no nas preciso confessar que quando cheguei em casa ninguém segurou, tive certeza que foi Papai falando "ow é aí que eu quero que você esteja". Tudo bem Pai, é aqui que vou ficar; O Daniel (aquele que faz os melhores aviõeszinhos de papel) gosta é da bagunça, gritar, brincar, subir na cadeira é o que ele quer mesmo, diz que não gosta se ouvir a história e quando faço as perguntas é o primeiro a responder; O Arthur na verdade eu não conheço muito, nos primeiros dias era tímido, não falava muito, não brincava muito, agora tá soltinho, "tia eu não quero fazer isso ai não" ele disse se referindo aos trabalhinhos da revista "tudo bem, se você não quer você não precisa fazer, no final da aula só os outros amiguinhos vão fazer" eu disse. No final da aula "tia cade o lápis quero pintar também"; o Pedro, é uma mistura, as vezes é Daniel, as vezes Emilly, um pouco de Davi com um toque de Giovanna, sempre ajuda quando precisa guardar os lápis, ajuda os amigos também, gosta que os outros obedeçam, um doce. Fora os visitantes que aparecem vez ou outra, cada um tem uma coisinha pra ensinar. 

A Giovanna me ensinou que eu preciso ter calma; a Emilly me ensinou a levar as situações na brincadeira, não precisa levar tudo tão a sério; o Davi me ensinou a amar a Deus e valorizar nossa relação (minha e de Deus); Daniel me ensinou que me permitir dar o louco as vezes não faz mal; o Arthur me ensinou que tudo bem não ter total certeza das coisas, tudo bem fazer uma escolha e se arrepender dela; o Pedro me ensinou a estar sempre disponível pra ajudar. 

Olha não tem sido muito fácil, as vezes penso que eles não estão absorvendo nada do que falo, as vezes penso em desistir, as vezes penso que só ir assistir a aula na minha classe e não dar aula é melhor, mas o pensamento que reina na minha cabecinha é que o melhor mesmo é entender que tudo está no controle de um Paizão maravilhoso que já tem tudo planejado, e que eu só preciso confiar e entregar nas mãos dEle. E eu espero que, se você leu esse textão aqui, você tenha aprendido alguma coisa. O que eu queria passar mesmo é que nada foge do controle dEle e que tudo tem algo a nos ensinar, nós só precisamos abrir os olhos. 

Vamos combinar a partir de agora, você abrir seus olhos e estar sensível para o que você pode aprender no dia a dia? 

2 comentários:

  1. Que lindo! Eu precisava ler isso, ainda mais a frase do final. E achei muito meigo que o teu texto tem um toque de "querido diário", de pessoalidade, coisa que não se vê mais na *blogosfera*. E ah, preciso dizer que: tu é uma guerreira! Não teria essa paciência (ou a perseverança) pra lidar com crianças.

    Não sei como tu chegou ao meu blog (!). Fiquei muito surpresa ao ver o comentário no texto, achei que só eu ainda entrava lá! Obrigada :) fiquei muito feliz mesmo!

    <3

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    1. fico feliz que tenha te ajudado de alguma forma e a paciência vem do Pai mesmo, hahaha. e eu também não sei como cheguei no teu blog mas conheço provavelmente faz um tempo, só sei que sigo apareceu post novo na tl do blogger eu fui ler hahahaha ♥

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